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Educação Física Adaptada


Escola Prof. José Pio de Santana da cidade de Ipameri-GO - Um exemplo a ser seguido

O texto A discriminação do outro se baseou no argumento de que a discriminação continua real nos dias de hoje, e é particularmente visível no âmbito escolar. A proposta deste texto é visualizar de quais modos a discriminação se mostra especificamente nas aulas de Educação Física e, posteriormente, observarmos como essa disciplina tem buscado meios de inserção de pessoas portadoras de necessidades especiais.

Creio que o primeiro importante passo para pensar a inclusão na Educação Física foi a estruturação de uma subárea voltada especialmente para essas pessoas. Essa subárea é denominada de Educação Física adaptada. Foi apenas em 1987 que o Conselho Federal de Educação introduziu tal perspectiva na formação do profissional de Educação Física.

São consideradas da alçada da Educação Física Adaptada quaisquer pessoas portadoras de transtornos, sejam eles psicológicos ou físicos, que impeçam que essas pessoas participem ativamente de uma aula comum da disciplina, como os portadores de deficiências mentais, visuais, auditivas, físicas, com múltiplas deficiências, superdotados, com síndromes neurológicas, psiquiátricas e psicológicas, e ainda pessoas com dificuldades de aprendizagem. (Carvalho, 2008).

É interessante ressaltar que os conteúdos a serem trabalhados são os mesmos de qualquer outra aula de Educação Física, o que muda são os meios para permitir o acesso aos portadores de necessidades especiais à prática. E esse é o papel do profissional de Educação Física: fazer com que as pessoas consigam superar os seus limites, estabelecendo caminhos com graus de dificuldade variados, de acordo com a deficiência. Ao possibilitar a inclusão, a partir de uma aula bem estruturada, o professor não apenas permite que os portadores de necessidades especiais experienciem o prazer da prática, como também, em alguns casos, as aulas podem até auxiliar na recuperação.

O grande problema é que, embora a inclusão de portadores de necessidades especiais no âmbito escolar já seja dada como óbvia, a formação dos professores nessa área é deficitária. Embora pareça um trocadilho infame, no caso da escola, o deficiente é, na maioria das vezes, o professor. Não apenas pela sua falta de formação, mas pior: muitas vezes pela falta de informação. São poucos os que sabem lidar com as múltiplas necessidades e que conseguem incluir todos os alunos de fato, sem deixar o menino gordinho ser o último a ser escolhido para o time de basquete ou estimular todos os alunos a fazerem uma aula com os olhos vendados para sentirem assim como o deficiente visual sente.

Enfim, contribuir para a evolução dessas questões mais simples, na área da Educação Física Adaptada, é mais uma questão de delicadeza e de respeito com o próximo do que meramente técnica específica de trabalho.

Para saber mais:
CARVALHO, R. A nova LDB e a educação especial. Rio de Janeiro, WVA, 1998.
MARQUEZINE, M.C. et alli. Perspectivas multidisciplinares em educação especial. Londrina; UEL, 1998.

Por Paula Rondinelli
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Mestre em Ciências da Motricidade pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Doutoranda em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo - USP

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