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Soletrando

A soletração em si não traz muitos benefícios ao aluno, já que os dicionários estão no mercado para serem usados e os corretores ortográficos do computador facilitam todo processo. Além disso, essas práticas com os alunos visam, em sua maioria, a soletração de palavras difíceis, pouco usuais.

O lugar da produção de texto e leitura é tomado pelo do exercício de soletrar. É importante para o aluno saber e se familiarizar com os termos mais usados no seu dia-a-dia ou nos momentos em que escreve uma carta para um amigo, um bilhete para a mãe. Isso sim é fundamental para a criança: estar acostumado com as palavras que mais utiliza em seu cotidiano.

E a importância de se saber utilizar o dicionário? Os aprendizes crescem sem saber utilizá-lo, tanto o da própria língua quanto o de qualquer outra. Não ampliam o vocabulário, pois não sabem procurar os termos, chegam a letra “a”, mas não sabem procurar por “achei”, por exemplo.

As regras gerais da ortografia devem ser compreendidas e memorizadas, pois alcançam um número considerável de palavras, ao contrário da soletração, que elege uma palavra aleatoriamente. Após várias tentativas de se decorar tantos vocábulos, a criança corre um grande risco de não memorizar todas as grafias, e mais, depois de um certo tempo sem treinar, a própria memória desconsiderada aquele “aprendizado”. Através desse pensamento, chegamos a conclusão que o ato de soletrar é superficial em vista do aprendizado das normas ortográficas.

O exercício de soletrar as palavras vem de um universo gramatical absolutamente adverso: o dos Estados Unidos. Para a educação anglo-saxônica ensinar o pequeno a soletrar é muito importante, uma vez que a grafia e a pronúncia do inglês são diferentes. Portanto, é necessário saber se o estudante está de fato aprendendo a distinguir a forma de escrever da forma de falar.

Com a brincadeira “inocente” da soletração, a escola está perdendo seu verdadeiro papel: o de ensinar, auxiliar, ajudar os alunos a consolidarem a ortografia regular e a utilizar o dicionário, sempre que necessário.

As competições que exigem do aluno saber soletrar corretamente devem dar lugar às práticas voltadas a aprendizagem e ampliação do vocabulário através da leitura e escrita.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Português - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

  • sexta-feira | 04/05/2012 | Matluc

    Mui interessante, obrigado por ter escrito isto... Continue!!!

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