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Por que não somos esmagados pela pressão atmosférica?

Podemos dizer que a área total do corpo de uma pessoa na fase adulta é de aproximadamente 1 m2. Sabemos também que a pressão atmosférica medida ao nível do mar mede cerca de 100.000 Pa. Portanto, podemos dizer que uma pessoa, estando ao nível do mar, sofre a ação de uma força de cerca de 100.000 N em virtude da pressão atmosférica equivalente ao peso de um corpo de dez toneladas. Mas nos vem a dúvida, como uma força de tamanha proporção não nos esmaga?

Podemos dizer que a resposta a essa pergunta é bastante simples: isso não acontece pelo fato de o nosso corpo estar cheio de ar, e porque a mesma pressão exercida de fora para dentro é exercida de dentro para fora. Qualquer variação na pressão externa é transmitida integralmente a todo nosso corpo e é exercida também de dentro para fora, como garante o princípio de Pascal – e, por isso, não sentimos o efeito da pressão atmosférica.

Pressão interna e pressão externa não iguais

Há exceções, é claro. Uma delas ocorre na cavidade auditiva quando subimos ou descemos de alturas consideráveis rapidamente, como em estradas nas serras ou até mesmo em elevadores de prédios muito altos. Às vezes, nessas ocasiões, a passagem do ar é bloqueada por alguns instantes e a diferença de pressão entre o ar exterior e interior da cavidade auditiva pode provocar uma sensação dolorosa.

A experiência descrita a seguir pode ilustrar essa explicação. Com o devido cuidado, aqueça uma lata de refrigerante vazia e, com o auxílio de um prendedor de roupas, coloque-a de “boca” para baixo. Ela será esmagada pela pressão atmosférica. Se, ao aquecê-la, colocarmos um pouco de água deixando ferver até a água acabar, o resultado será muito melhor. Portanto, podemos concluir que se a pressão fosse somente de fora para dentro, seríamos esmagados, como a lata de refrigerante.


Por Domiciano Marques
Graduado em Física

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