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O estrangeirismo no consumo


O gosto por marcas e produtos: um hábito atual que já existia no passado.


Atualmente, os meios de comunicação são capazes de provocar uma verdadeira enxurrada de ofertas, promoções e artigos que inundam nossas televisões, caixas de correio, rádios e e-mails. Dentre tantas ofertas, vemos que algumas marcas se sobressaem como portadoras de algum valor especial. Em suma, ter o determinado produto de uma determinada marca corresponde ao pronto atendimento de certos padrões de bom gosto e beleza.

Ao conviver com os alunos em sala de aula, qualquer professor mais atento pode perceber como tal necessidade de consumo atinge os jovens. Fazendo uma rápida pesquisa em sala, o professor pode reconhecer quais seriam as marcas e produtos que encabeçam os sonhos de consumo da garotada. De fato, ao realizar esse exercício, podemos ver que as empresas se empenham em chamar a atenção de seus consumidores de forma cada vez mais ágil.

Sob tal aspecto, é interessante notar como muitos dos produtos citados pelos alunos são de procedência estrangeira. Em muitos casos, o fato do produto ser importado agrega um valor simbólico que supera em muitas vezes o preço de uma mercadoria semelhante produzida nacionalmente. Além disso, o produto “de fora” sugere que seu consumidor tenha uma relação íntima com as últimas tendências oferecidas pelas suas nações de origem.

Na determinação de tal quadro, muitos acreditam que essa experiência se limita ao contexto do mundo contemporâneo. Entretanto, é possível perceber que esse tipo de situação pode ser notado em outros tempos. Para tanto, basta recuar para as décadas iniciais do século XX e demonstrar que o consumo de determinadas marcas também influenciavam os padrões de qualidade desses antigos consumidores.

Para comprovar tal similitude, o professor pode se valer da propaganda disponível em algumas das revistas catalogadas pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo. Vasculhando alguns poucos exemplares, é possível deparar-se com a propaganda de casas comerciais que oferecem artigos luxuosos, roupas e bebidas “enviadas por suas casas de compra de Paris e Londres”. Rapidamente, selecionamos algumas propagandas de 1910, extraídas da revista paulista “A Lua”.







Nesses breves exemplos, podemos assinalar que a procedência francesa e inglesa de determinados produtos é francamente explorada na propaganda. Em alguns casos, o próprio nome na empresa em língua estrangeira confere esse tipo de evocação à qualidade do produto importado. Nesse aspecto, podemos ver que essas propagandas de revista também nos mostram a formação de um mercado consumidor letrado e urbano.

Caso queira finalizar a aula de forma um pouco mais lúdica e divertida, o professor pode oferecer uma atividade de reinvenção das propagandas trabalhadas. Dividindo a sala em pequenos grupos, o professor pode sugerir que cada grupo reelabore a propaganda dos produtos expostos na aula. Após a produção de cada material, exponha à turma como as propagandas foram “modernizadas”.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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