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Movimento dos Cara Pintada e Passeata dos Cem Mil


Passeata dos Cem Mil x Movimento dos "Cara Pintada": Comparando momentos distintos da participação dos jovens na História do Brasil.

A discussão sobre História Contemporânea em sala de aula pode contar com uma grande variedade de fontes de pesquisa. Ao falar do Governo Collor, o professor primeiramente destaca de que forma os escândalos de corrupção contribuíram fortemente para que esse presidente saísse do poder. Além disso, dentro de uma mesma explicação inicial, essa mesma aula destaca a importância histórica deste governo ao apontá-lo como o primeiro a ser democraticamente eleito depois do regime militar.

Estabelecendo um quadro comparativo entre o período de redemocratização do país e o período da Ditadura Militar, o professor pode muito bem lançar uma discussão comparativa entre os protestos estudantis desses diferentes contextos históricos. Primeiramente, podemos destacar as imagens que retratam esses dois períodos históricos distintos. Fazendo uma breve coletânea de imagens, os alunos podem ser apresentados aos protestos da passeata dos 100 mil (1968) e dos “Cara Pintada” (1992).

Depois de perceber as formas de protesto ocorridas nas duas situações descritas, é interessante ressaltar como a Passeata dos Cem Mil se concentrou nas ruas do Rio de Janeiro, enquanto os “Cara Pintada” tiveram uma maior repercussão em diferentes cidades do país. Demonstrando o lado impreciso dos acontecimentos históricos, o professor pode fazer ainda uma última discussão onde coloca em foco os desdobramentos dos dois acontecimentos.

Em um primeiro momento, podemos lançar a questão sobre quais as conquistas obtidas pelos jovens participantes da passeata de 1968. Destacando o contexto político da época, o aluno pode perceber que o movimento popular encabeçado por estudantes sofreu forte repressão com a decretação do AI-5. Nesse momento, a leitura de um trecho dessa lei militar poderia trazer uma dimensão mais precisa sobre a reação do governo frente à insatisfação popular.

Em seguida, o movimento dos “Cara Pintada” pode ser alvo de uma análise semelhante. Saindo nas ruas e erguendo faixas, o movimento acontecido sobre a tutela de um regime democrático contribuiu para que o presidente Fernando Collor de Mello perdesse seu cargo e seus direitos políticos. Pedindo a participação dos alunos, o professor pode indagar seus estudantes sobre qual dos movimentos tiveram maior sucesso. Provavelmente, os “Cara Pintada” seriam escolhidos como mais bem sucedido.

Construindo essa hierarquização entre os movimentos, o professor pode indagar sobre o atual envolvimento do jovem com as questões políticas do país. Entre as mais variadas opiniões, o professor ainda pode apresentar aos alunos algumas canções de protesto que marcaram o período da ditadura militar.

Dessa maneira, o tema da aula suscita como as conseqüências dos atos históricos variam e, nem sempre, são marcados por “desdobramentos naturais”. Sem apontar algum juízo de valor ou depreciação, o professor pode demonstrar como o movimento dos “Cara Pintada” apresentou um efeito imediato sem maiores implicações, enquanto os jovens de 1968 empreendera diferentes formas de resistência e manifestação ao longo de duas décadas.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

  • sexta-feira | 14/03/2014 | Fernanda Nunes...

    Nós brasileiros temos o poder em nossas mãos,mas ñ estamos sabendo usá-los. Pa q quebra-quebra,estamos querendo atingir o governo ou o patrimônio publico,que pouco conseguimos usufruir? Diretas já novamente Se o povo quer,o povo consegue!

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