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História e charges


As charges podem suscitar a discussão de diferentes tempos históricos.


Nos meios de comunicação, o uso das charges esteve sempre vinculado à realização de algum tipo de reflexão sobre os acontecimentos do cotidiano. Tendo grande espaço dentro dos jornais diários, as charges parecem ter se transformado em grandes ícones que relatam o cotidiano por meio da expressividade das imagens e o uso de um texto curto e sugestivo. Contudo, esse “narrador do agora” também pode ser um importante instrumento de reflexão do passado.

Muitas vezes, o chargista costuma fazer a crítica sobre uma situação do agora realizando uma comparação da mesma com algum fato passado. Dessa maneira, o chargista se transforma em um sujeito capaz de propor uma perspectiva do passado que reafirme ou promova um contraste com a vivência do presente. Apesar de destacarmos o uso de charges com esse tipo de característica, devemos nos lembrar que quaisquer outras charges podem ser trabalhadas como documentos da história.

Retornando ao tipo de charge aqui trabalhada, sugerimos a proposição de uma aula de história contemporânea que debata a política internacional do presidente norte-americano George W. Bush (2001 – 2008). Para isso, sugerimos a utilização de algumas charges que costumam comparar o presidente norte-americano com Adolf Hitler, líder político da Alemanha durante o governo nazista. Em suma, podemos convidar a sala a desconstruir tais imagens tentando refletir os elementos nelas trabalhados.

Um das charges mais comumente encontradas nos meios de comunicação costuma caracterizar George W. Bush com os uniformes ou acessórios adotados por Hitler. Demonstrando esse tipo de imagem em sala o professor pode tentar realizar uma atividade que se preocupa em refletir com um pouco mais de tempo e cuidado sobre a comparação histórica oferecida pelo autor da charge. Para darmos exemplo desse exercício, colocaremos abaixo uma dessas várias charges.

FIGURA 01 – “George W. Bush – O grande ditador”




No exemplo exposto, podemos ver que o artista utilizou de uma montagem que coloca Bush como o ator principal de um filme. Para reforçar a equiparação entre Hitler e Bush, o autor utiliza do título do filme “O grande ditador” (1940), no qual o ator e comediante Charles Chaplin (1889 - 1977) faz um versão caricata de Adolf Hitler. Dessa forma, o autor da charge “conta” ao público que ele pretende fazer a mesma crítica de Chaplin por ambos tratarem de personagens históricos semelhantes.

Contudo, a equiparação entre Bush e Hitler é justificada de que maneira? Pela simples “maldade” dos dois líderes? Nesse ponto o professor deveria convidar os alunos a uma discussão mais cautelosa sobre os fatos históricos atribuídos ao presidente norte-americano que poderiam ser “equivalentes” com os de Adolf Hitler. Como sugestão, podemos indicar a forma arbitrária com a qual os dois chefes de Estado invadiram determinadas nações.

Além dessa comparação, o professor pode apontar algumas diferenças e peculiaridades que demonstrem os equívocos gerados por essa equiparação instantânea. Para isso, o professor pode recorrer à mesma charge demonstrando as diferentes intenções de Bush, quando a “suástica” do uniforme nazista é substituída por um símbolo que representa a extração de petróleo. Dessa maneira, o professor reforça a consideração a ser feita com os diferentes contextos históricos trabalhados pelo chargista.

Sendo esse apenas um exemplo desse tipo de trabalho com charges, salientamos que as possibilidades desse recurso são incontáveis e que a análise sugerida limita-se a abrir portas para um outro tipo de trabalho que o próprio professor queira desenvolver. Por fim, devemos acionar por meio dessa modalidade de texto informativo, a presença do passado no pensamento, na fala, na escrita e nas artes do quase sempre tão imediatista mundo contemporâneo.


Por Rainer Sousa
Graduado em Historia
Equipe Brasil Escola


História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

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