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Desvendando a abertura dos portos brasileiros


Em 1820, Maximilian zu Wied-Neuwied fez uma rica descriação da economia brasileira.


No Ensino Médio, dada a urgência das necessidades impostas pelo vestibular, percebemos que muitos alunos têm uma expressa dificuldade para responder as questões discursivas. Geralmente, os professores alegam que a falta de interesse pela leitura e a dificuldade na produção textual são dois fatores que apontam a origem deste corriqueiro impasse. Contudo, haveria alguma forma de evitar o problema? Como condicionar os alunos a ler e responder corretamente uma questão de História?

De fato, não podemos indicar aqui nenhuma espécie de fórmula mágica que transforme o problema em solução. Contudo, devemos buscar – nas séries anteriores do ensino fundamental – todas as oportunidades que nos permita aproximar o aluno do indispensável exercício interpretativo inerente à compreensão do passado. De forma sugestiva, indicamos uma atividade em que o aluno deve desconstruir os dados de um relato sobre a economia brasileira no início do século XIX.

Primeiramente, o professor deve realizar uma breve biografia sobre o príncipe germânico Maximilian zu Wied-Neuwied, que andou pelo territorio brasileiro em busca de conhecimento sobre a fauna, a flora e as populações indígenas do Brasil. Nessas suas andanças, acabou passando por alguns grandes centros urbanos da época, realizando anotações diversas sobre as impressões que tinha do lugar. Por volta de 1820, quando esteve na Bahia, relatou:

“O comércio da Bahia é muito ativo; esta cidade serve de entreposto para os produtos do sertão, que por ela se exportam para as diversas partes do mundo; motivo pelo qual se encontram em seu porto navios de todas as nacionalidades. (...) Os habitantes das costas vizinhas trazem todos os produtos de suas plantações para a capital, a fim de trocá-los por mercadorias de diversos países. Essas trocas constantes e ativas rapidamente fizeram da Bahia uma importante cidade.”

Nesse breve parágrafo, o professor tem a oportunidade de tecer importantes anotações que atestam mudanças do período. Primeiramente, retomando o conceito de “pacto colonial”, retome na atividade como se desenvolvia esse tipo de relação econômica entre a metrópole e a colônia. Após essa questão, pergunte se existe aglum tipo de evidência que demonstra a ação de alguma nação estrangeira no desenvolvimento econômico daquela época.

Outra informação interessante a ser trabalhada diz respeito ao grau de desenvolvimento da economia da época. Por meio de uma simples questão, os alunos podem ver que a abertura dos portos brasileiros às nações estrangeiras fez com que a riqueza produzida em outras partes do território fosse atraída pelos produtos manufaturados que chegavam nas embarcações estrangeiras. Com isso, temos a sugestão de que o Brasil viva uma itensa atividade econômica no período.

Por fim, trace as importantes mudanças políticas dessa época, que permitiram a abertura dos portos. Dessa maneria, o aluno compreende por meio do relato os efeitos causados pela ação tomada pelo rei Dom João VI que, cumprindo acordo firmado com os britânicos, realizou a assinatura do termo que oficializou a abertura dos nossos portos à produção industrial europeia.

Por meio dessa atividade, os alunos passam a compreender que a leitura crítica dos documentos é algo indispensável na obervância dos fatos passados. Ao mesmo tempo, antevendo os tão correntes problemas com a interpretação textual, o professor ambienta seus alunos a esse tipo de exercício intelectual, que mostra materialmente o relato daqueles que viveram o passado.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


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