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Democracia em sala de aula


A escolha do representante: momento de discussão e prática política.

Nos dias de hoje, o voto e o processo eleitoral são dois fatos corriqueiros entre os noticiários e discussões cotidianas. O direito à escolha dos nossos representantes políticos envolve uma experiência histórica, muitas vezes mal percebida por nossos estudantes. Durante a famosa escolha do representante de classe, os alunos nem chegam a imaginar que o processo de escolha que eles adotam é apenas uma dos mais diversos sistemas de representação política.

Por isso, a escolha do representante pode ser um interessante momento no qual a política e suas questões históricas podem ser discutidas. Em um primeiro momento, o professor pode demonstrar que nem todo o sistema político é organizado por meio de alguma espécie de votação. Os regimes centralizados, como a monarquia e a ditadura, elegem seus representantes através do comando de uma autoridade maior que tem amplos poderes.

Comparando esses dois sistemas com a democracia, muitos alunos podem chegar à conclusão de que nosso atual sistema político é muito mais justo. No entanto, o professor pode elaborar uma nova atividade para que o assunto não se esgote nessa simples comparação. Pedindo a participação oral ou escrita, o professor pode questionar aos alunos se os nossos governos foram capazes de dar fim a todo e qualquer problema encontrado em nossa sociedade.

Muito provavelmente, os alunos darão uma reposta negativa, elaborando algum tipo de justificativa para a mesma resposta. A partir de então, podemos demonstrar ao aluno que a democracia possui benefícios, amplia direitos, mas não resolve todos os problemas de uma sociedade. Nesse sentido, o professor pode salientar o quão importante é refletir sobre a importância que o voto possui no exercício da democracia.

Nesse instante, a importância do representante político deve entrar como um último estágio dessa “aula de política”. Ao relatar os problemas de nossa sociedade, o problema da corrupção é sempre um dos mais citados pelos alunos. A recorrência desse tema nos noticiários assistidos por eles constrói uma visão onde a culpa dos nossos problemas sempre se aloja na culpa de pessoas que não cumpriram o seu dever político.

Se as mazelas de nosso tempo são responsabilizadas pelos “corruptos” ou pelo “governo”, a culpa do povo é completamente anulada. No entanto, essa visão inculcada nos alunos pode ser repensada com a frase do pensador francês Joseph De Maistre, que disse: “Cada povo tem o governo que merece.”. Dessa maneira, o educador pode nesse simples episódio corriqueiro de sala, elucidar aos alunos o quão importante é pensar sobre quem deve representar os nossos interesses.

Dessa forma, a escolha do representante de classe deve ser vista como uma experiência positiva e, ao mesmo tempo, complexa para a criança. O representante deve ser capaz de equacionar diferentes qualidades que não se encerram em suas características pessoais. O melhor representante não é necessariamente aquele colega de classe que tira as melhores notas ou que não poupará esforços para ajudar um professor a controlar as ações dos demais alunos.

Antes de qualquer coisa, o representante deve ser visto como um aliado de toda a escola. Deve ouvir colegas de classe, professores e a direção no exercício de seu papel. Além disso, pode participar ativamente das questões que envolvem a escola e a classe. Por fim, mesmo não garantindo a formação de um indivíduo mais consciente, a reflexão sobre como nos portamos mediante a democracia salienta a capacidade crítica do educando mediante as situações que lhe são impostas.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

História - Estratégias de Ensino - Educador - Brasil Escola

  • quinta-feira | 17/03/2011 | joao victor

    foi de mais essa experiencia

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