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Consciência histórica exemplar

A consciência histórica exemplar é uma tentativa de estabelecer a existência de exemplo do passado para o presente.

A consciência histórica exemplar nos impele a criar normas de interpretação das ações humanas
A consciência histórica exemplar nos impele a criar normas de interpretação das ações humanas

A história, na trajetória escolar de vários estudantes, aparece como uma matéria muitas vezes incógnita ao não conseguir apresentar uma justificativa óbvia para o seu estudo. Não raro, o professor de história aparece como o grande responsável por constituir essa justificativa e, nesse mesmo intento, sedimenta um tipo de compreensão histórica bastante recorrente. Afinal, quem nunca ouviu dizer que a história nos fornece informações do passado para entendermos o presente e melhorarmos o futuro?

Mesmo tendo um discurso bem intencionado, esse tipo de compreensão histórica produz um tipo de leitura do passado que definimos aqui, segundo a classificação rüseniana, como uma consciência histórica exemplar. Como podemos aqui definir que uma consciência histórica seja exemplar? De que modo a nossa relação com o passado, conforme sugere o conceito, pode ser guiada por meio da busca por diferentes exemplos?

Para respondermos a esse tipo de questão, devemos retomar o princípio de que as experiências do passado são buscadas por meio de escolhas. Afinal, não há interesse e nem mesmo capacidade de contemplarmos tudo aquilo que já aconteceu. Dessa forma, estamos sempre estabelecendo critérios que fazem com que tenhamos mais interesse por determinadas experiências do que por outras.

No caso, ao constituirmos um tipo de consciência histórica exemplar, buscamos a constituição de princípios e normas de ação baseadas nas várias experiências estabelecidas no passado. De tal modo, buscamos em várias experiências a formulação de regras capazes de ordenar nosso conjunto de ações. Sendo assim, buscamos adiantar a eficácia de um determinado ato através de experiências históricas semelhantes em que podemos enxergar um mesmo resultado formulador de uma espécie de regra.

Contudo, ao analisarmos esse tipo de consciência, notamos que sua eficácia interpretativa se mostra limitada quando determinados eventos não podem ser controlados de forma exemplar. Afinal, se esse tipo de consciência fosse viável, as experiências de horror e destruição da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, seriam referências para que a Segunda Guerra Mundial fosse evitada.

Desse modo, a consciência histórica exemplar estabelece uma lógica de compreensão dos acontecimentos humanos orientados por uma segura noção de progresso. Isso significa dizer que, por meio das regras produzidas pelos exemplos, podemos evitar a repetição dos “erros do passado” e  conquistar um porvir inevitavelmente melhor. Contudo, percebemos que as especificidades do presente nos impedem de ter a segurança necessária para a constituição de regras universalmente aplicáveis na ordenação de ações futuras.

Para o ensino de história ou até para a produção de conhecimento histórico, devemos ter a devida noção de que o passado não tem o poder de antecipação do porvir, na medida em que observamos semelhanças entre o acontecido e o agora. Realizando comparações, percebemos as diferenças dos processos e dos fatores que nos levam a distinguir cada um dos eventos históricos que aparentam alguma proximidade.


Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Canal do Educador
Graduado em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG

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