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A servidão no feudalismo


A tributação e o controle sobre o trabalho dos servos se modificavam em cada feudo estudado.

Ao falar sobre Idade Média, vemos que muitos dos livros didáticos se isentam da rica e árdua tarefa de expor com maiores detalhes esse período histórico de extensão milenar. Por um lado, isso reflete a falta de interesse que, por muito tempo, foi reservada aos temas medievais no interior da academia. Por outro, se mostra como mais uma das evidências de que o preconceito com o período medieval empobreceu o número de informações das obras que orientam vários alunos.

Com o objetivo de superar tal espécie de obstáculo, oferecemos ao professor a oportunidade de quebrar a barreira da falta de informações e das generalizações por meio de uma pequena análise histórica que abre caminho para a realização de uma interessante atividade em sala de aula. Para tanto, elencamos uma fala do historiador francês Marc Bloch, contida em seu livro “Os caracteres originais da França rural”. Segue o trecho abaixo:

“A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatuto jurídico dos camponeses, ou de seus mansos [parcelas de terra].” – Marc Bloch. Os caracteres originais da França rural, 1952.

Por meio dessa leitura, o professor deve inicialmente recuperar com a turma o conceito de corveia, genericamente entendido como a série de impostos e obrigações que o senhor feudal estipulava aos seus servos. Fazendo uso do próprio livro didático, certamente encontrará algumas das exigências que eram feitas pelos senhores feudais. Sendo assim, notamos que o texto do livro projeta uma generalização para que os alunos entendam que a corveia funcionava do mesmo modo, em todos os feudos.

Retomando o texto de Marc Bloch, vemos que a informação oferecida no livro didático não combina com a análise que o historiador fez sobre o tema. Sendo assim, o professor tem a oportunidade de frisar que as formas de relacionamento social e econômico entre camponeses e nobres eram bastante diversas. Na medida em que cada parcela da Europa desenvolvia suas tradições e hábitos, essas exigências poderiam apresentar uma natureza diversificada.

Para reforçar essa noção de diversidade que o texto trabalhado apresenta em oposição às informações do livro didático, sugerimos que o professor organize uma produção textual entre os alunos. Nessa proposição, peça que a turma “assuma” o lugar de um senhor feudal e crie uma série de impostos à sua suposta população servil. Na medida em que os textos e as corveias imaginadas se diferem, a turma começa a compreender melhor a natureza diversa dos tempos medievais.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola

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